sábado, 20 de outubro de 2018

Cajucultura brasileira: como ganhar o jogo?

Esta semana publiquei durante três dias consecutivos neste Blog alguns posts sobre a crise da cajucultura na Índia, um dos grandes produtores e processadores mundiais de castanha de caju. 
A cajucultura mundial vive presentemente um momento crucial para a sua sustentabilidade futura. As decisões e iniciativas que venham a ser tomadas agora farão a diferença num futuro próximo.

Como observador atento da conjuntura mundial do agronegócio caju, tenho verificado nos últimos seis meses uma grande movimentação dos principais produtores, especialmente Vietnã, Índia, Costa do Marfim e Nigéria, apoiados por seus governos ou por associações, no sentido de definirem rumos para este importante negócio. Para ilustrar o que falamos, vários países africanos estão agora planejando processar cerca de 50% de sua produção de castanha in-house e entrar no mercado mundial em grande escala. Alguns, inclusive, sobretaxando a exportação de castanha in natura. Por sua vez, a Índia, que atravessa uma crise sem precedentes no setor, planeja medidas apropriadas para atender sua produção de castanha, definindo um roteiro para aumentar a produção para 2 milhões de toneladas de castanhas até 2025. 
E o Brasil, o que está fazendo? Muito pouco. Em geral, iniciativas desconexas, isoladas e focadas exclusivamente na área agrícola. Geralmente de curto prazo, na maioria das vezes esquecendo que este é um negócio que envolve uma commoditie cuja formação de preços, quer se queira ou não, é regrada em grande parte pelo mercado externo. Uma pergunta importante nesse momento importante da vida nacional: "- Quais as propostas estruturantes, concretas, dos candidatos eleitos/ainda não eleitos aos governos do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte para a cajucultura desses três estados?" Não vale como resposta "distribuição de mudas e substituição de copas".
Observando toda essa movimentação internacional, uma das principais lições que fica é a de que sem a união dos diversos segmentos que integram a cadeia produtiva do caju, será extremamente difícil virar o jogo. Em resumo, o agronegócio caju brasileiro precisa de uma instituição forte, não chapa branca, com poder de pressão, sem viés ideológico e coloração político-partidária, que una (e reúna) a cadeia produtiva como um todo. É o primeiro passo. Somente assim pode-se pensar em ganhar o jogo. No momento estamos perdendo feio.

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